Vinicius Passarelli

Ex-prefeito e candidato a deputado diz que irmão de atual vice-prefeito e também candidato coagiu empresa a rescindir contrato com campanha

Vinicius Passarelli

28/09/2026 09:36

Divulgação/Câmara Municipal de Guarulhos
O candidato a deputado federal e ex-prefeito de Guarulhos, Guti (PSD), entrou com uma representação criminal na Justiça Eleitoral e pediu a abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) para apurar uma suposta ameaça feita pelo grupo político adversário contra uma empresa de trio elétrico que presta serviço para sua campanha.
A notícia-crime é contra o vice-prefeito de Guarulhos e candidato a deputado federal Thiago de Azevedo Lopes Fonseca, conhecido como Thiago Surfista (PL) (foto em destaque), seu irmão Rodrigo de Azevedo Lopes Fonseca, o “Diguinho”, e um produtor de eventos.
De acordo com os autos, o grupo teria atuado para compelir uma empresa de eventos, contratada em agosto de 2026 para fornecer carros de som à campanha de Guti, a rescindir o contrato de prestação de serviços. Segundo o relato do proprietário da empresa registrado em Boletim de Ocorrência, ele foi chamado para reuniões com Diguinho e um produtor ligado ao grupo para falar do assunto.
Nos encontros, Diguinho teria exigido a paralisação imediata das atividades e ameaçado adotar providências administrativas por meio da Prefeitura de Guarulhos contra os veículos contratados. Na ocasião, segundo a denúncia, teria chegado a exibir no celular uma mensagem mencionando uma multa por bloqueio de via no valor de R$ 5 mil.
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Na petição, a defesa de Guti sustenta que a Polícia Federal é quem tem a atribuição para conduzir as investigações diante da “predominância do interesse eleitoral e federal” envolvido no caso.
Em nota, a Prefeitura de Guarulhos afirmou que desconhece a denúncia. Já a assessoria de Thiago Surfista disse que o vice-prefeito e candidato não tem “conhecimento de nada”. “Quando formos intimados vamos nos manifestar, mas reforçamos que a campanha de Thiago Surfista não coaduna com o tipo de prática mencionada”, completou.
A coluna fez contato com Diguinho, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Áudio gravado
Em uma segunda reunião, agora acompanhado de duas sócias da empresa, o empresário relata ter havido novas ameaças e a exibição de imagem de uma suposta multa que já teria sido aplicada a um dos caminhões de som. Este segundo encontro foi gravado pelo proprietário da empresa e anexado na petição.
Na gravação, um dos presentes afirma que o episódios seriam uma “guerra” e que “não queremos o Guti concorrendo com a gente, são ordens de cima”.
A representação aponta para possível uso do aparato fiscalizatório da Prefeitura de Guarulhos — na qual Thiago Surfista exerce o cargo de vice-prefeito — como instrumento de coação contra um adversário político direto na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados.
Diante disso, os advogados requereram também que qualquer apuração eventualmente iniciada pela Polícia Civil — em decorrência de Boletim de Ocorrência registrado — seja requisitada e atraída para a esfera eleitoral e federal.
Decisão do TRE-SP e envio à 1ª Instância
O processo tramitou inicialmente no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP). A relatora do caso, no entanto, acolheu parecer da Procuradoria Regional Eleitoral e reconheceu a incompetência da Corte de segunda instância para julgar a matéria, determinando o encaminhamento dos autos ao Juízo da 176ª Zona Eleitoral de Guarulhos, a quem caberá analisar os pedidos de produção de provas e a requisição de abertura do inquérito junto à Polícia Federal.
