Clubes brasileiros decidem reduzir limite de estrangeiros relacionados por partida

Clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro negociam com o Governo Federal um socorro para a crise financeira que atravessam. A CBF participa das conversas na condição de articuladora, não como financiadora do projeto.
O movimento se dá ao mesmo tempo em que o Governo Federal estuda uma Medida Provisória para proibir, ao menos em parte, atividades de bets no Brasil.
Tanto o Ministério do Esporte quanto a CBF mostraram interesse nesta ajuda econômica aos clubes, mas a expectativa é de que o tema só evolua depois das eleições – o segundo turno acontece daqui a um mês, em 25 de outubro.
O formato do auxílio ainda está em discussão, mas a principal proposta sobre a mesa é para a criação de uma linha de crédito do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDES). Os clubes teriam acesso a empréstimos com taxas mais baixas do que as praticadas pelo mercado bancário, mas este dinheiro teria de ser destinado exclusivamente para o pagamento de dívidas.
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Reunião entre clubes na sede da CBF em maio deste ano — Foto: Rafael Ribeiro / CBF
A proposta é diferente de REFIS (Programa de Recuperação Fiscal) que já foram realizados, pois não envolveria apenas dívidas tributárias.
Também foi discutida a liberação de valores para investimento em infraestrutura. Essa seria uma forma de contemplar os clubes que têm menor endividamento.
As conversas têm sido capitaneadas por Corinthians e Internacional, clubes que atravessam grave crise econômica – ambos estão sob transfer bans da Fifa. Osmar Stabile e Alessandro Barcellos, presidente dos clubes, buscaram apoio de Pedro Daniel, que atualmente é CEO do Atlético-MG e até o fim do ano passado era diretor executivo da EY. A consultoria produziu um estudo que ajudou a embasar as conversas com o Ministério do Esporte e a CBF.
As negociações já acontecem desde o mês passado.
A CBF tem participado das conversas, e o regulamento de Fair Play Financeiro, que entrou em vigor neste ano, tem sido usado para justificar o acesso ao crédito. O argumento é que, desta vez, ao contrário de outros momentos em que as equipes precisaram ser socorridas pelo poder público, os clubes estão atuando sob um conjunto de regras rígidas de governança, num ambiente de maior controle e menor risco.
Ainda não está definido qual montante o BNDES poderia liberar, nem os critérios para a aprovação do crédito.
Um dos argumentos do clube nas negociações é que a eventual proibição das bets agravaria ainda mais a situação econômica deles.
Há o temor de que a medida possa inviabilizar a operação da maior parte das empresas do setor, hoje um dos principais parceiros publicitários dos clubes.
Estima-se que as bets paguem cerca de R$ 1 bilhão por ano para estampar suas marcas nas camisas das equipes da Série A.
Há uma semana, clubes e federações divulgaram um manifesto em defesa das operadoras de aposta em que afirmavam que restrições a esse mercado seriam o "fim do futebol brasileiro".
