Petista fez sugestão ao americano em maio com foco em crimes financeiros, tráfico de armas e compartilhamento de inteligência

16 set 2026 - 22h48

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- Por: Felipe Frazão

Resumo

O governo Lula rebateu as críticas dos EUA, que acusaram o Brasil de omissão no combate a facções como PCC e Comando Vermelho, classificadas por Washington como terroristas. O Ministério da Justiça negou falhas e afirmou que Donald Trump ignora uma proposta de cooperação entregue pessoalmente por Lula contra o crime transnacional. O país ressaltou que não integra a lista de grandes produtores ou rota de drogas e que os americanos desconsideram leis e operações já em vigor no território brasileiro.

BRASÍLIA - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu nesta quarta-feira, dia 16, à acusação dos Estados Unidos de que o País não teria se esforçado no enfrentamento ao crime transnacional.

O governo Donald Trump cobrou do Brasil "medidas agressivas" contra facções narcotraficantes, embora Lula se oponha a operações militares conduzidas pelos EUA com outros países na América Latina.

"O governo brasileiro refuta quaisquer alegações de que existam falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado transnacional", disse o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

Em nota, o MJSP afirmou que o governo Donald Trump teria desconsiderado e não respondido, até o momento, à proposta de cooperação apresentada pelo Brasil no ano passado e reiterada pessoalmente por Lula, em visita à Casa Branca, em maio.
"A manifestação norte-americana desconsideraria a robusta cooperação já existente entre Brasil e EUA no combate ao crime organizado transnacional. Além disso, convém frisar a proposta entregue pessoalmente pelo presidente Lula no dia 7/5/2026, em Washington, com detalhamento de medidas conjuntas de enfrentamento à lavagem de dinheiro, compartilhamento de inteligência e combate ao tráfico de armas. Até o momento, o país aguarda possível resposta do governo dos EUA", afirmou o ministério.
Relatório enviado nesta terça-feira, dia 15, pelo governo Donald Trump ao Congresso dos EUA traz críticas diretas ao combate a facções criminosas como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
Ambas foram designadas terroristas pelo Departamento de Estado, à revelia do governo Lula e com apoio de líderes da oposição brasileira, entre eles o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL).
"Embora muitos governos no Hemisfério Ocidental estejam tomando medidas corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar cartéis, o governo do Brasil falhou em confrontar as organizações terroristas estrangeiras designadas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho, que transformaram o Brasil em um centro de fluxos globais de cocaína. Essas organizações terroristas brasileiras são uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo do Brasil precisa urgentemente adotar medidas agressivas para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam", afirma o relatório americano.
O governo brasileiro também diz que a lista anual dos países que os EUA identificam como maiores produtores e de trânsito de drogas não inclui o Brasil, entre 23 nações citadas. Para o MJSP, o Brasil virou mesmo assim "objeto de críticas laterais no documento".
O ministério também disse que os EUA não levaram em conta a aprovação da Lei Antifcação, o Plano Brasil Contra o Crime Organizado e as operações realizadas em âmbito nacional, assim como as iniciativas de cooperação policial internacional.
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