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Mensagens internas da Meta obtidas pela Folha revelam falhas que prejudicaram a divulgação de publicações de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e permitiram recomendações indevidas de perfis ligados a Flávio Bolsonaro (PL).

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Os episódios ocorreram no Instagram e no WhatsApp durante a campanha eleitoral de 2026. Nas conversas, funcionários discutiram a demora para corrigir os problemas e os riscos jurídicos envolvidos. A empresa nega favorecer qualquer candidatura.

A campanha de Lula estimou que 1,3 milhão de pessoas deixaram de ver anúncios durante a restrição no Instagram, em outubro. – Foto oficial da candidatura registrada no TSE

Lula ficou quase 24 horas sem impulsionar publicações

Em 9 de outubro, a conta oficial de Lula ficou quase 24 horas sem conseguir impulsionar publicações do feed do Instagram. A ferramenta permite pagar para ampliar o alcance de conteúdos na plataforma.

A campanha ainda podia promover anúncios que não aparecem como publicações comuns no perfil, conhecidos como dark posts. Os anúncios antigos também continuaram ativos. Mesmo assim, a equipe estimou que cerca de 1,3 milhão de pessoas deixaram de ver as peças publicitárias durante a restrição.

Em uma conversa interna, um funcionário afirmou que a conta de Lula estava “limitada” em comparação à de Flávio Bolsonaro. Ele também mencionou a “alta chance” de uma ação jurídica.

O problema foi registrado no gerenciador de anúncios e encaminhado a engenheiros nos Estados Unidos. Funcionários reclamaram da demora na solução e pediram que o caso fosse classificado como SEV2, categoria usada para ocorrências graves que exigem resposta urgente.

A Meta citou inicialmente uma interrupção global de dados que teria atingido mais de 3.000 contas em 7 de outubro. Segundo as mensagens, porém, aquela falha durou cinco horas. A restrição enfrentada pela campanha de Lula ocorreu dois dias depois e persistiu por quase 24 horas.

Perfis apareceram em recomendações indevidas

As conversas internas também apontaram problemas nas buscas do Instagram. O perfil de Flávio aparecia entre as sugestões, enquanto o de Lula não era exibido nem quando o usuário digitava seu nome exato.
No WhatsApp, uma busca por “Exército do Lula” retornava resultados como o Canal do Lula, o Tropa do Flávio e o Partido dos Trabalhadores. O canal de apoio a Lula é administrado pelo deputado André Janones e havia sido derrubado por ordem do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, antes de voltar ao ar.
Pelas regras eleitorais, perfis e canais de candidatos não podem ser recomendados por algoritmos. Eles devem aparecer nas buscas quando o usuário digita o nome exato.
Funcionários reconheceram que a recomendação do perfil de Flávio não deveria ocorrer. A Meta atribuiu a ausência de Lula a um problema relacionado ao comprimento do nome e afirmou que a falha foi corrigida, embora ainda houvesse variações nas sugestões.
As mensagens também registram outros problemas durante a campanha:
- Em 23 de setembro, as contas de Lula e Flávio ficaram impedidas de publicar anúncios por cerca de uma hora devido a um erro relacionado à detecção de atividade suspeita.
- Em 1º de outubro, anúncios de Flávio foram bloqueados por suspeita de uso de inteligência artificial durante um período de restrição eleitoral. A campanha negou ter utilizado a tecnologia.
- Funcionários da Meta discutiram a repercussão política dos episódios e a percepção de que ganhava força uma narrativa de suposta interferência da empresa na eleição brasileira.
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Equipe de Flávio Bolsonaro declarou que não registrou problemas na conta de anúncios e segue operando sem falhas. – Foto oficial da candidatura registrada no TSE
Meta nega interferência na eleição
Procurada pela Folha, a Meta rejeitou as acusações de favorecimento político. “As alegações de que atua para interferir no processo eleitoral ou favorecer uma candidatura são falsas e não encontram respaldo nos fatos”, declarou.
A empresa atribuiu os episódios a falhas técnicas globais, a um erro específico corrigido e à aplicação das normas eleitorais brasileiras. Também afirmou que os problemas atingiram contas e anunciantes de diferentes países e negou tratamento preferencial a candidatos ou partidos.
A campanha de Flávio, por sua vez, contestou os relatos sobre bloqueios e restrições. Em resposta à reportagem, afirmou que a conta de anúncios do candidato seguia funcionando normalmente e que cumpria as regras da plataforma e do TSE.
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As conversas internas documentam reclamações sobre falhas, demora na resolução e preocupação com suas consequências políticas. Não há, porém, admissão de interferência eleitoral deliberada nas mensagens acessadas pela Folha.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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Tags: eleições 2026 Flávio Bolsonaro instagram Luiz Inácio Lula da Silva meta WhatsApp


