A carne bovina segue na mesa do brasileiro, mas já não lidera as estratégias promocionais do varejo. As ofertas de proteínas diversas cresceram 23% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025, e chegaram a uma alta de 30% somente em junho, segundo pesquisa da SB Analytics que o R7 Planalto teve acesso com antecipação. No entanto, ao mesmo tempo em que registra alta nas promoções, a carne bovina enfrenta uma pressão adicional de consumo. Entre 2021 e 2026, os preços da categoria registraram um crescimento de 6,23% ao ano. Com o orçamento das famílias pressionado pelo custo de vida e pelo endividamento (82% dos brasileiros têm dívidas, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), supermercados ampliaram as alternativas de proteínas dentro das campanhas, oferecendo ao consumidor mais possibilidades de escolha entre carne bovina, frango, carne suína, linguiça, peixe e ovos.Mais do que uma simples substituição da carne bovina por proteínas mais baratas, os dados apontam para uma mudança na maneira como o varejo apresenta e comercializa a categoria. “Observamos que, em uma mesma peça promocional, o supermercado apresenta a carne bovina e, imediatamente, opções de frango e de cortes suínos. Isso dá ao consumidor a possibilidade de fazer a escolha de acordo com o seu orçamento”, afirma Felipe Manssur Santarosa, sócio na Vertical. A pressão sobre a escolha do consumidor também é regional, segundo o levantamento. A carne vermelha compromete parcelas diferentes do orçamento das famílias nas capitais, por exemplo: 1,3% em Brasília e 5,4% em Belém. Em Belo Horizonte, o índice é de 2,3%; no Rio de Janeiro, 2,2%; e em São Paulo, 2,1%.A tradicional quinta-feira da carne, dia voltado para promoções, também perdeu espaço, e os mercados apostam na divisão do espaço promocional com outros dias da semana. As ofertas de proteínas cresceram 33% às terças-feiras, 35% às quartas-feiras e 38% aos domingos, sinalizando uma tentativa do varejo de transformá-las em uma compra mais recorrente ao longo da semana.Na avaliação de Santarosa, contudo, os supermercados disputam um orçamento dividido não somente com os alimentos e a carne, mas com a academia, o transporte por aplicativo e várias outras demandas de consumo. “Concentrar mais gastos em alimentação dentro de casa é muito bom para o supermercado. Mas o varejista precisa oferecer alternativas e entender quais categorias estão disputando o mesmo dinheiro”, afirma. A SB Analytics é a nova unidade de negócios e que funciona como o braço analítico da Shopping Brasil, resultado de uma parceria com a Vertical ara transformar dados do varejo em inteligência de mercado. Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp








