Análise feita em agosto concluiu que negociações com Master foram feitas mediante práticas de gestão fraudulenta, e não apenas por gestão temerária ou falhas administrativas isoladas; BRB diz que foi vítima

12 set 2026 - 22h32

(atualizado às 22h44)

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- Por: Daniel Weterman

Resumo

Perícia da Polícia Federal confirmou fraudes de cerca de R$ 17 bilhões em negociações entre o BRB e o Banco Master, mediante documentos falsificados e gestão fraudulenta. O relatório apontou a participação de seis diretores do BRB na compra de R$ 17,5 bilhões em carteiras do Master, mantida mesmo sob dezenas de alertas de risco e problemas de liquidez. O BRB declarou ser vítima dos crimes e não comentou a situação dos ex-dirigentes, enquanto a defesa do Banco Master não se manifestou.

Perícia da PF confirma fraudes no Master em transação com BRB

Foto: Reprodução / Estadão

BRASÍLIA — Uma perícia da Polícia Federal realizada em agosto deste ano confirmou que houve fraudes financeiras nas operações envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).

Em nota, o BRB afirmou que foi vítima e disse que ex-dirigentes não devem ser confundidos com a instituição. A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, não comentou.

A perícia serviu para checar as informações investigadas anteriormente pela PF e analisar uma série de documentos enviados pelo BRB aos investigadores. Segundo a polícia, as fraudes somaram aproximadamente R$ 17 bilhões e tiveram uma produção massiva de documentos falsos.

O documento da perícia faz parte dos processos do Caso Master no Supremo Tribunal Federal, que tiveram o sigilo levantado pelo ministro André Mendonça, relator do caso na Corte.

Os peritos identificaram que a diretoria do BRB aprovou a compra de R$ 17,5 bilhões em carteiras do Master entre 2024 e 2025.
A perícia concluiu que o processo foi conduzido mediante práticas de gestão fraudulenta, e não apenas por gestão temerária ou falhas administrativas isoladas.
"A conclusão não decorre do simples insucesso econômico, da assunção de risco elevado, da existência de prejuízo ou de uma falha procedimental isolada", diz a análise.
"Decorre da utilização repetida de expedientes objetivamente aptos a distorcer, contornar, neutralizar ou regularizar retrospectivamente os mecanismos de informação, autorização e controle, preservando aparência formal de regularidade incompatível com a substância econômica e decisória das operações."
Segundo os peritos, a diretoria do BRB aprovou 25 operações com o Banco Master, no total de R$ 17,5 bilhões. Do total, 21 delas ocorreram exatamente no teto de R$ 750 milhões da diretoria do Banco de Brasília, valor que não precisava de aprovação do Conselho de Administração.
Em junho de 2025, a exposição do Banco Master no BRB era de 90,31%. Isso significa que quase tudo que o Banco de Brasília comprava era do banco de Daniel Vorcaro. A exposição totalizou R$ 19,78 bilhões naquele mês, 9,32 vezes a soma de todos as demais instituições que negociavam com o Banco de Brasília
O documento também mostra que as negociações com o Master continuaram mesmo após alertas formais de liquidez no BRB, diz a perícia, e mesmo após as carteiras se mostrarem frágeis.
Um relatório do Grupo de Trabalho do BRB, de 4 abril de 2025, já descrevia controles manuais, arquivos inconsistentes, dados fictícios, ausência de trilha entre analítico e financeira e falta de lastros nos ativos, entre outros problemas.
Um relatório final, de 19 de maio de 2025, confirmou a persistência dos problemas. Mesmo assim, o BRB pagou R$ 5,2 bilhões em operações ao Master após o primeiro relatório, dos quais R$ 2,2 bilhões foram pagos após o relatório final.
A perícia concluiu que a percepção prudencial, de risco e reputacional relativa ao Banco Master estava disponível, mas não foi incorporada na hora de decidir sobre o compra dos ativos. As operações não observaram regularmente o rito de instrução, análise, formalização e aprovação, segundo os peritos.
Mesmo com o envio de 66 boletins de risco registrando sucessivos alertas e 13 extrapolações do Índice de Liquidez de Curto Prazo (ILCP) do BRB, a diretoria do banco estatal continuou aprovando limites e prospecções. Após a primeira extrapolação formal do ILCP, o BRB realizou 42 pagamentos ao Banco Master, totalizando R$ 7,41 bilhões.
A perícia da Polícia Federal apontou ainda a participação de seis diretores do Banco de Brasília nas decisões que levaram às compras de títulos fraudados do Banco Master:
- Paulo Henrique Costa, presidente;
- Cristiane Maria Lima Bukowitz, diretora de Gestão de Pessoas;
- Dario Oswaldo Garcia Júnior, diretor de Fianças e Controladoria;
- Luana de Andrade Ribeiro, diretora de Controle e Riscos;
- Diogo Ilário de Araújo Oliveira, diretor de Atacado e Governo; e
- José Maria Correa Dias Junior, diretor de Tecnologia.
Nessa etapa, a perícia identificou apenas responsabilidade técnica pelas decisões, e não a culpa ou o dolo, que cabem à Justiça definir.
O único diretor do BRB isento de responsabilidade, segundo a perícia, foi Jacques Mauricio Ferreira Veloso, diretor jurídico, pois as atas o registraram como sem direito a voto ou ausente.
Em nota, o BRB afirmou que foi vítima e disse que ex-dirigentes não devem ser confundidos com a instituição. O banco não quis comentar casos e pessoas específicas.
"A divulgação dos autos relacionados ao Banco de Brasília (BRB) é uma oportunidade para todos conhecerem o que aconteceu com a instituição, vítima de atos criminosos, e as medidas adotadas pela nova gestão", disse o banco.
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