A Fundação PHP confirmou que os primeiros sinais das vulnerabilidades que levaram à retirada preventiva de sites do ar em vários países surgiram em 2024. A correção foi interrompida e retomada diversas vezes, em meio à falta de recursos e a dificuldades nas decisões da equipe de segurança.

Brecha no PHP que tirou sites do ar foi descoberta há dois anos
Brecha no PHP que tirou sites do ar foi descoberta há dois anos · Imagem: Source: olhardigital.com.br

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Brecha no PHP que tirou sites do ar foi descoberta há dois anos
Brecha no PHP que tirou sites do ar foi descoberta há dois anos · Imagem: Source: olhardigital.com.br

As falhas podem permitir que invasores assumam o controle de servidores sem login ou senha. Uma atualização de segurança já está disponível, enquanto órgãos públicos e empresas adotaram medidas preventivas para reduzir o risco de ataques.

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A falha permite assumir o controle de servidores na web sem a necessidade de senha. – Imagem: Andrey Suslov/Shutterstock

Imagem da matéria: Brecha no PHP que tirou sites do ar foi descoberta há dois anos
Imagem da matéria: Brecha no PHP que tirou sites do ar foi descoberta há dois anos · Imagem: A falha permite assumir o controle de servidores na web sem a necessidade de senha. – Imagem: Andrey Suslov/Shutterstock

Por que a correção demorou?

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Brasilia,,Federal,District,-,Brazil.,December,,20,,2020.,Information,Board · Imagem: No Brasil, a Anatel e tribunais suspenderam o SEI preventivamente contra invasões. Imagem: rafastockbr/Shutterstock

O problema foi identificado durante uma auditoria externa realizada em 2024 pela Quarkslab, empresa francesa de cibersegurança. Segundo a Fundação PHP, o trabalho para corrigir as vulnerabilidades se arrastou por meses e enfrentou três obstáculos:

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- Falta de um método conhecido de exploração: na época, não era conhecida uma forma de usar a falha para executar comandos remotamente.

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- Dificuldades nas decisões: a equipe de segurança enfrentou entraves para definir como avançar com a correção.

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- Sobrecarga de especialistas: poucos desenvolvedores tinham conhecimento aprofundado do funcionamento interno do PHP.

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A fundação também reconheceu que a segurança da linguagem depende de um grupo reduzido de desenvolvedores financiados por fundações e de colaboradores voluntários.

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Brecha no PHP que tirou sites do ar foi descoberta há dois anos · Imagem: Source: olhardigital.com.br

A limitação de recursos preocupa especialmente pela presença do PHP na internet. A linguagem é utilizada em plataformas como Facebook, Wikipedia e WordPress, além do Moodle, adotado por instituições de ensino, e do Magento, voltado ao comércio eletrônico.

Como a inteligência artificial entrou no caso

A Fundação PHP utiliza ferramentas de inteligência artificial, como o Claude Mythos, para analisar códigos e avaliar relatos de falhas. Segundo a entidade, esses recursos ajudam a identificar problemas mais rapidamente, mas não conseguem determinar qual é a melhor forma de estruturar uma correção.

A investigação também avançou fora da fundação. A empresa de segurança Calif e a OpenAI, responsável pelo ChatGPT, identificaram as vulnerabilidades de forma independente e as reportaram em agosto deste ano. Posteriormente, a Wiz, especializada em segurança na nuvem, encontrou outras formas de explorar as falhas.

Na quarta-feira (21), a Wiz classificou o caso como um dos mais graves já registrados no PHP. “Essas descobertas estão entre as vulnerabilidades mais graves descobertas no PHP e, possivelmente, na história do software”, afirmou a empresa.

A companhia também declarou: “Por mais de uma década, essas vulnerabilidades críticas permaneceram sem resposta porque a descoberta e exploração de vulnerabilidades eram incrivelmente complexas [sem o uso da IA]”.

Para investigar as falhas, a Wiz informou ter utilizado os modelos Gemini 4 Argon, do Google, e GPT-5.6 Sol, da OpenAI.

No Brasil, a Anatel e tribunais suspenderam o SEI preventivamente contra invasões. Imagem: rafastockbr/Shutterstock

Sites foram retirados do ar por precaução

Desde quarta-feira (21), governos e empresas de diferentes países suspenderam temporariamente o acesso a sites para evitar invasões. No Brasil, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e tribunais suspenderam o acesso ao Sistema Eletrônico de Informações (SEI), usado na gestão de processos administrativos. Até o momento, não há relatos de grandes impactos no país.

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A dimensão da exposição ajuda a explicar a preocupação com a falha. Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks e especialista em telecomunicações, afirma que rankings públicos ainda apontam o PHP como a linguagem utilizada em cerca de 70% dos sites.

Com a atualização de segurança disponível, a aplicação da correção nos sistemas afetados é a principal medida para reduzir o risco de invasões.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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Tags: cibersegurança falha de segurança PHP vulnerabilidade