Mensagens mostram relação entre o ministro, o desembargador Luiz Rennó e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro

23 out 2026 - 17h17

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- Por: Redação Terra

Ministro Kassio Nunes Marques, do STF

Foto: Antonio Augusto/ESTADAO / Estadão

Uma apuração da Revista Piauí mostra que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassion Nunes Marques mudou o voto em um julgamento envolvendo o Banco Master, após ter se reunido com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

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De acordo com a revista, o encontro entre Nunes Marques e Vorcaro ocorreu durante o andamento de processos judiciais que envolviam interesses bilionários do Master. As mensagens obtidas pela revista mostram que, durante os meses em que o julgamento esteve em pauta, Vorcaro manteve contato requente com Nunes Marques.

A relação era intermediada pelo desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). Na época, também tramitavam processos sensíveis para o Master no TRF1. Ao menos nove encontros presenciais foram agendados entre o ex-banqueiro e o ministro.

Durante o julgamento, Nunes Marques mudou de posição e deu um voto de desempate, favorecendo os interesses do Master. Após a decisão, Luiz Rennó, então diretor do Master, enviou uma mensagem para Vorcaro comemorando o desfecho e compartilhando o contato de Kevin Marques, filho do ministro, com a seguinte mensagem: "Dominado aqui".

A reportagem também aponta que Vorcaro vinha estreitando relações com Newton Ramos, sua mulher Camilla e Nunes Marques, desde junho de 2024. Em um levantamento feito pela revista, é possível verificar que Ramos e Vorcaro trocaram 463 mensagens e fizeram 40 chamadas no Whatsapp entre março de 2024 e abril de 2025.

Em dezembro de 2024, o desembargador mudou a configuração da conversa com o ex-banqueiro, que passou a apagar mensagens automaticamente depois de 24 horas. As mensagens mostram uma relação em que o desembargador pedia, e Vorcaro atendia. Ao menos doze pedidos foram feitos ao ex-banqueiro, incluindo estadias no Hotel Fasano e ingressos para a Fórmula 1.
O julgamento e o interesse de Vorcaro
Em 2024, o Master havia adquirido precatórios de usinas de açúcar e álcool, muitas delas falidas, que cobravam da União indenizações por uma política de tabelamento de preços imposta pelo governo nos anos 1980.
Os créditos costumam custar pouco, mas valer muito a depender das decisões judiciais. De acordo com estimativas da Polícia Federal, a carteira de precatórios do Master somava R$ 10 bilhões. Para que esse dinheiro se materializasse, o Master dependia das decisões do STF e do TRF1.
Após uma reunião com Vorcaro, um despacho no sistema do STF foi gerado no qual Nunes Marques se declarava apto a votar no caso da Destilaria Alcídia, uma das usinas que cobravam indenização da União. Embora Vorcaro não tivesse precatórios associados a esse processo, ele precisava que a Alcídia ganhasse, porque a decisão do STF teria impacto sobre os demais processos no tribunal.
Até aquele momento, o ministro se considerava impedido para julgar a destilaria, mas, naquele dia, acabou mudando de ideia. Ele afirmou que o impedimento teria sido "equívoco da assessoria" do seu gabinete. À epoca, o julgamento estava empatado em 2 a 2. Com a reabilitação de Nunes Marques, o caso demorou a voltar à pauta, até ser retomado em setembro de 2024.
No dia 1º de outubro, Vorcaro compartilhou o contato de Kevin Marques com Luiz Rennó e pediu para que o filho do ministro recebesse uma "atenção" e que eles haviam "assinado um contrato". No mesmo dia, o julgamento do STF chegou a um desfecho, com Nunes Marques se declarando favorável e desempatando o placar da votação em 3 a 2.
Em 2018, quando o caso estava no TRF1, Nunes Marques havia votado contra a destilaria. O resultado foi comemorado por Vorcaro em uma mensagem por telefone. "Ganhamos STF", escreveu a um contato salvo como "diretor Paulo Sergio Bacen" .
Fonte: Portal Terra
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