Aline Baiana (Salvador, 1985) é uma artista visual brasileira que traz, em sua obra, os conflitos entre norte e sul global, justiça climática e social, relação entre saberes científicos e tradicionais e questões raciais. Atualmente, seus trabalhos estão presente na coleção Kadist (Paris, San Francisco) e na coleção da Stiftung des Vereins der Freunde der Nationalgalerie für zeitgenössische Kunst (Fundação da Associação de Amigos da Galeria Nacional de Arte Contemporânea - Berlim, Alemanha).

Educação e carreira Aline Baiana nasceu em Salvador, mas mudou-se para o Rio de Janeiro ainda na adolescência, com 14 anos. Cursou Cinema na Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, tendo concluído o curso em 2010. Formada em cinema, a artista trabalhou com fotografia por dois anos, tendo afastado-se momentaneamente do fazer artístico para se dedicar a um MBA em Gestão Ambiental pela Escola Politécnica da UFRJ, no Rio de Janeiro, em 2012. No mesmo ano, no contexto da Rio+20, iniciou o trabalho em uma ONG. No contexto das atividades da conferência, participou da Cúpula dos Povos, onde aprofundou seu interesse pelos direitos humanos e pela luta ambiental. Foi também em 2012 que iniciou o curso Arte Fora do cubo: ações artísticas e reações políticas na esfera da Arte Contemporânea, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, através de bolsa, com duração de dois anos. Entre os anos de 2012 e 2014, dedicou-se a intervenção urbana, através da produção de estêncil e colagens que imbuíam na cidade as discussões e protestos contra a flexibilização do Código Florestal nos quais a artista estava engajada. A partir de 2014, expandiu sua investigação artística para outros meios, como vídeos, objetos e instalações. Entre os anos de de 2013 e 2016, a artista trabalhou como assistente de produção do Filmambiente, Festival Internacional de Cinema Ambiental, no Rio de Janeiro. Já em 2017, Baiana co-organizou duas edições do evento Abril Indígena, ação incluída na mobilização nacional anual pelos direitos dos povos indígenas no Brasil. Em 2019, através de convite da curadora Claire Tanconsm, participa da plataforma Look me all around you ("Olhe para mim ao seu redor") na 14a Bienal de Sharjah, Leaving the Echo Chamber, nos Emirados Árabes Unidos. Integra a Bienal com duas obras que conectam os efeitos de barragens no Brasil e no Líbano. Chamadas de Janna Dam or The second murder of Adonis ("Barragem Janna ou o segundo assassinato de Adonis’"), e Aliança por um Mundo Ensolarado ou A Cobra Grande em Rios Livres; as instalações, ligadas por um canal de água, provocam uma reflexão sobre os riscos das barragens para a perda da biodiversidade dos rios de cada um dos países. Em 2020, a artista retoma o tema ambiental, levando para a 11a Bienal de Berlim, The Crack Begins Within, em Berlim, na Alemanha, obra que refletia sobre o rompimento das barragens de Brumadinho, em Minas Gerais, crime ambiental que causou a morte de mais de 300 pessoas e uma ampla destruição do ecossistema local. Em 2025, Aline Baiana participa da 36a Bienal de São Paulo com o filme Ouro negro é a gente (2025), que investiga a conexão entre a violência ambiental no Brasil contra povos quilombolas e o desenvolvimento do país através da extração de petróleo dos territórios originalmente pertencentes à estas populações. Ouro negro é a gente também evidencia as práticas tradicionais desenvolvidas pelos quilombolas, que promovem uma defesa do ecossistema local, e os efeitos da industrialização forçada em suas vidas. Atualmente, sua obra está presente na coleção Kadist (Paris, San Francisco), uma organização com coleção internacional de arte contemporânea, e na coleção da Stiftung des Vereins der Freunde der Nationalgalerie für zeitgenössische Kunst (Fundação da Associação de Amigos da Galeria Nacional de Arte Contemporânea - Berlim, Alemanha). Aline Baiana, que divide sua vida entre as cidades Salvador, Rio de Janeiro e Berlim, considera arte e política assuntos indissociáveis e nomeia-se uma artista afro-pindorâmica.

Exposições 2026-2025: 36a Bienal Internacional de São Paulo, Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo, Brasil. 2021: Atenção para o refrão, Goethe-Institut Bahia, Salvador, BA, Brasil. 2020: 11a Bienal de Berlim: The Crack Begins Within, Berlim, Alemanha. 2019: 14a Bienal de Sharjah: Leaving the Echo Chamber, Emirados Árabes Unidos. 2019: Vaivém, CCBB, São Paulo, Brasil. 2018: Manifesto Afrofuturista, Rio de Janeiro, Brasil. 2018: Flutuantes, Paço Imperial, Rio de Janeiro, Brasil. 2018-2017: Nanica, Bull Station, São Paulo e Saracura, Rio de Janeiro, Brasil. 2017: A Mesa - Experiência no 12: entrepassados, Rio de Janeiro, Brasil. 2017: Bestiário, Centro Cultural de São Paulo (CCSP), São Paulo, Brasil. 2017: Mostra Corpos da Terra, Caixa Cultural, Rio de Janeiro, Brasil. 2016: Da urgência de cada um, Largo das Artes, Rio de Janeiro, Brasil. 2015: Feminismo e Feijoada, Capacete, Rio de Janeiro, Brasil. 2015: Manchas no estábulo, Neu West Berlin, Berlim, Alemanha. 2014: Novas Poéticas, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil. 2014: IV Jardim Suspenso da Babilônia, Rio de Janeiro, Brasil.

Filmografia 2017: Naquele tempo todos eram gente.

Prêmios e reconhecimentos 2022-2023: Teve pesquisa contemplada com uma bolsa do Berliner Förderprogramm Künstlerische Forschung (Programa de financiamento de Berlim para Pesquisa Artística).

Referências